Domingo, Fevereiro 10, 2008

Fresh Beggining


" I could use a fresh beginning too...
All of my regrets are nothing new..."

"Eu poderia usar um novo começo também... não há nada de novo nos meus erros..."


Estou em fase de recomeço. Recomeço na vida, nas minhas relações, no blog...

Eu tenho apenas 20 anos. E é como se há séculos eu tivesse perdido a capacidade de acreditar... de confiar... de me entregar... Sinto que se eu baixar a guarda, alguém vai me apunhalar como sempre acontece quando eu confio demais...

Quero recomeçar. Quero voltar a ter fé nas pessoas... Quero acreditar que nem todo o mundo vai me machucar na primeira oportunidade.

Quero acreditar que minhas amigas não vão roubar meus namorados e meus namorados não vão transar com minhas amigas.

Quero acreditar que meus segredos continuarão secretos.

Quero acreditar que meus amigos vão notar quando eu tiver caído e irão me estender a mão sem julgamentos.

Eu quero acreditar em recomeços...

Sábado, Agosto 18, 2007

Deixando a vida acontecer...

Fiquei um bom tempo sem escrever, mas nem por um momento pensei em abandonar o blog.
Muitas coisas aconteceram nos últimos dois meses e eu percebi que a minha recusa em escrever tem a ver com torná-las reais.
Daqui a menos de um ano (junho/ 2008) eu vou trancar a faculdade de Psicologia e me mudar para Londres durante um semestre. Vou estudar e fazer estágio em Recursos Humanos.
Nada mal para uma jovem que acabou de completar seus 20 anos. É a porta de entrada para tudo o que eu sempre sonhei: sucesso, independência e liberdade. Esse é o glamour da coisa.
Mas me fez encarar de frente que eu e o Victor pertencemos a mundos muito diferentes, porque enquanto eu quero progredir, ele se conforma em receber tudo sem se esforçar pra nada. Esse ano acentuou ainda mais as nossas diferenças de ideais e de caráter e percebi que ele não me faria feliz. Ele nem ao menos iria tentar.
Me sinto leve e feliz como nunca me senti antes. Sou muito pé-frio gente, ainda estou esperando que alguma coisa dê errado, mas pelo jeito dessa vez a vida está jogando pra valer.
E eu também.


Segunda-feira, Junho 25, 2007

Sobre Princesas Encantadas e Seus Príncipes (Des)Encantados


"Era uma vez uma bela princesa que estava presa no alto da torre, com seus cabelos esvoaçantes e seu corpo perfeito. Chorava mais que a Maria do Bairro enquanto o belo príncipe de corpo sarado lutava com o dragão feroz. No final, o príncipe vence, salva a princesa e eles são felizes para sempre..."
É por causa de historinhas como essa que as mulheres de hoje são tão inibidas e cheias de complexos. Também, pudera! Passaram a infância toda ouvindo de suas mães que só seriam felizes para sempre as princesas mais lindas da Terra, que tinham cabelos longos e lisos como se tivessem acabado de fazer uma escova japonesa, não tivessem celulite e não soubessem se defender sozinhas de bruxas más e dragões cuspidores de fogo. Como se fosse pouco, essas princesas perfeitas ainda teriam que ser salvas (das bruxas más e dos dragões cuspidores de fogo) por um príncipe que montasse um alazão branco e fosse valente, alto, forte e muito, muito rico.
Só que essas menininhas crescem. E lá pelos 20 anos de idade, percebem que (Ops!) elas estão um pouquinho acima do peso. E seus cabelos não são tão lisos e sedosos. Ela esqueceu de depilar as pernas, de novo! E quando aquela bruxá má da sua chefe a prendeu na torre (escritório) até depois do horário e deixou o dragão cuspidor de fogo (a fofoqueira da secretária) vigiando para que ela não saísse antes do horário, príncipe nenhum veio salvá-la de suas garras.
E falando em príncipe... ah, o Danilo é tão lindo. Tão másculo. Tão gostoso. É um galanteador nato. Ela já estava sonhando com o felizes para sempre, ela, Danilo e sua Mercedes preta (que entrava no lugar do cavalo branco), quando ele a avisou (via e-mail) que não poderia jantar com ela naquela noite. E estaria ocupado durante todo o fim de semana. Aparentemente, tinha negócios a tratar com o dragão cuspidor de fogo, digo, a secretária da empresa, das 22h da sexta feira às 8h da manhã de segunda, quando ela chegou ao escritório usando uma das camisas dele.
Talvez ela não fosse uma princesa afinal. Talvez não fosse viver feliz para sempre.
Mas aí apareceu o Gustavo. Barriguinha de chopp, sem muita classe, um tanto destrambelhado e ainda por cima dirigia um golzinho prata (pangaré). Mas ele era espontâneo e a fazia rir como ninguém. Ele não se importava com seus pneuzinhos e lhe comprava donnuts açucarados no café da manhã. Ele morria de medo de baratas e não enfrentaria uma por nada nesse mundo. Não se parecia em nada com um príncipe, mas a encatava com seu jeito de fazê-la se sentir uma princesa.
E ela descobriu que esse negócio de viver feliz para sempre também se aplicava à meras mortais sem nenhum título de realeza. As princesas que se fodam, essas bulímicas filhas-da-puta (com o perdão da palavra), que se casam com príncipes empresários infiéis que fazem turismo sexual na Tailândia enquanto elas fazem a tal da escova japonesa.
*Charlotte é e sempre será uma Fiona em sua essência. E está à procura de um Shrek, já que o Príncipe Encantado há muito tempo virou sapo.

Domingo, Junho 24, 2007

Bonitinha, mas ordinária.



Ele a ignora, não responde suas mensagens e não atende a seus telefonemas. Finge não entender suas indiretas e quando a vê caminhando pela rua, muda logo de calçada.

Ele pensa que ela é frívola e se tivesse cruzado o caminho de Nelson Rodrigues nos anos 80, seria ela a inspiração de "Bonitinha, mas ordinária". Pensa que ela dá aquele sorriso matreiro para todos os homens da cidade e abre seus segredos, e outras partes de si, a qualquer um que lhe pague uma bebida.

Sabe que ela é louca por ele. Mas sempre a menosprezará. Como ousa ser tão bela e alegre?

Mas à noite... Ah! Se durante o dia ela nada significa, à noite ela invade seus pensamentos com a força de um vendaval. E ele a procura nos bares, nos botecos, em qualquer foco de boemia. E ela o segue feliz, deixando todo o resto para trás. Ela finge que a indiferença não dói, que o orgulho não protesta e que não passou o dia se preparando para dizer não e seguir com sua vida ("Aproveita agora, seu cretino egocêntrico, enquanto as migalhas do seu amor são o suficiente para alimentar a minha paixão").

E se amam madrugada adentro em algum quarto ordinário de beira de estrada. Ela sempre tem esperança de que no dia seguinte ele ao menos telefone para saber como ela está. Ele sempre tem esperança de que no dia seguinte não sinta o desejo de procurá-la.

Nasce o sol, e tudo começa outra vez.

Sexta-feira, Junho 15, 2007

Reencontro


Entre as 4 paredes daquele quarto escuro, ela sentia que sua alma iria se romper a qualquer instante, tão dividida estava entre a alegria do reencontro e a dor da despedida inevitável.
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Cinco anos atrás ele a abandonara sem qualquer explicação. Era impulsivo, não se prendia a lugares e pessoas, e ela sentia em seu íntimo que não iria durar. Mas não esperava que terminasse tão cedo.
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Naquela sexta feira não estava com vontade de sair, mas por insistência das amigas raspou as pernas e se espremeu naquele tubinho preto que lhe custara quase um mês de salário. Calçou o scapin de saltos tão altos que a fazia ter dor na coluna, mas deixava suas pernas longas e sensuais. Soltou os cabelos rebeldes sobre os ombros, apanhou a bolsa, e saiu, pois o táxi já a esperava.
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O pub estava cheio, e sentiu-se enjoada com o cheiro de cigarro que tomava o ambiente. Localizou o grupo sentado à um canto e para lá se dirigia quando um homem alto, atlético e bronzeado postou-se em seu caminho. Sua primeira reação foi afiar a língua para soltar diversos impropérios, mas assim que ergueu os olhos o ar pareceu fugir de seus pulmões. Era Marcos, olhando-a com aqueles olhos selvagens, que sorriam descaradamente.
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Pensou em agir com elegância, pedir licença e continuar como se nada houvesse acontecido. Pensou em esmurrá-lo na barriga, a barriga malhada que ela tão bem conhecia. Pensou em virar as costas e voltar para a segurança de seu apartamento bagunçado. Mas antes que pudesse tomar qualquer atitude, ele a pegou pelo braço, sem uma palavra e levou-a para fora.
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A noite estava fresca e o ar úmido. Carros passavam a toda velocidadena avenida.
- Você está linda. Ainda mais linda do que me lembro.
- Você também não está mal... - disse tentando forçar um sorriso e tentando convencê-lo (e à si mesma) de que havia seguido em frente.
- Eu estou na casa de uns amigos, não quer ir até lá beber uma cerveja e jogar conversa fora? Não vamos conseguir nos entender aí dentro.
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"Não!" - essa era a resposta que estava na ponta da língua, seguida de "Vai tomar no cu seu fdp insensível!". Mas ouviu uma voz que reconheceu ser a sua, respondendo um determinado "Sim".
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A casa ficava perto e foram a pé. Ele segurou sua mão, que estava fria e trêmula e ela deu a si mesma um chute mental por parecer tão tensa enquanto ele se msotrava tão à vontade.
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Chegaram. A casa estava vazia, deviam estar todos na balada. Marcos foi à cozinha pegar as cervejas enquanto ela roía as unhas de porcelana que colocara para acabar com o hábito de roer unha.
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Sentaram-se no sofá, conversando sobre trivialidades, e ela pôde finalmente observá-lo sem parecer indiscreta. Os mesmos olhos que pareciam despí-la despudoradamente. Ele sempre tivera aquela cicatriz no maxilar? Era tão sutil. Estava mais másculo, mas macho. E ela podia aspirar seu perfume, o mesmo que se esforçara por enterrar e agora revivia todas as lembranças ardentes.
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Difícil dizer de quem foi a iniciativa. Mas logo estavam em um dos quartos, rolando na cama, ele afundando o rosto em seus seios, ela abraçando-o com seus braços e coxas. Ele puxou seu cabelo para trás forçando-a a levantar a cabeça, e cobriu seu queixo e seu pescoço de beijos e mordidinhas. Sentiam a pele arrepiada apesar do calor crescente e sentiam fome do corpo um do outro. Se amaram de maneira selvagem, como se naqueles poucos momentos pudessem afogar a saudade, a mágoa, e recuperar cada dia dos últimos cinco anos.
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Após esse primeiro momento, ela entregou-se às lágrimas. Amava-o. Ele sabia que ela o amava. Amava-a também, e ela sabia que era amada. E no entando... amor não era suficiente. Ela não era suficiente para que ele abandonasse os ímpetos de liberdade que pulsavam em seu íntimo. Quis explicar, quis fazê-la entender, quis secar suas lágrimas, mas apenas a abraçou forte, beijando sua cabeça e acariciando suas costas úmidas.
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Por fim, pegaram no sono.
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4h00 ela acordou com um sobressalto. Era realmente ele que estava ali, ressonando tão tranqüilamente com ela nos braços. Levantou-se sem fazer barulho e ficou ali em pé, nua, a observá-lo dormir como tantas vezes fizera.
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Vestiu-se e foi embora. Não voltaria a vê-lo. Não suportaria outra despedida.
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Marcos fingiu não escutar a porta se fechando quando ela deixou o apartamento. No dia seguinte mudou-se novamente de endereço. E no íntimo, sabia que a denominação de "Lar" se resumia ao corpo dela.

Terça-feira, Junho 12, 2007

Valentine's Day



Ok, ok eu seiii... falar do Dia Dos Namorados é clichê, ainda mais quando quem fala não tem namorado e acha a data uma completa perda de tempo... mas povo, no Brasil temos o direito de expressão, certo??? Então... sorry, mas o clichê continua!
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Quase 20 anos passando o dia dos namorados sozinha, como uma amiga na mesma situação fez questão de me lembrar via SMS às 8h da manhã, tentei me lembrar de algum momento marcante vinculado à essa data. E não precisei me esforçar muito viu?
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Eu estava na 7ª série em 2000, ficando com o meu grande amor da vez, o Neno, e na minha cabecinha inexperiente após 2 semanas juntos, era óbvio que no dia dos namorados eu deveria presenteá-lo, no que seria prontamente correspondida, e assim nosso compromisso seria selado. Bom, descobri que não seria prontamente correspondida com um presente porque não havia compromisso nenhum a selar. De fato, a única coisa que Neno queria era remover o MEU "selo". Passei o recreio chorando na sala, tendo por companhia minhas amigas e seus respectivos namorados, que entre um beijo apaixonado e outro me davam tapinhas nas costas e me ofereciam lenços de papel. Quando o Neno entrou na sala após o fim do recreio, recebeu seu presente: uma camiseta com estampa de surf embrulhada em papel prateado com pequenos coraçõezinhos. Eu o atirei na cara dele, juntamente com a expressão: "Toma aqui o seu presente seu desgraçado duzinfernos!". O mais legal de tudo é que quem terminou comigo foi ele!
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Claro que eu estou na comunidade "Minha vida amorosa é uma piada" do Orkut.
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Mas voltando ao tema, o temido e odiado 12 de Junho... nem tão temido, nem tão odiado. Prefiro enxergar como o único dia do ano em que ninguém me olha torto por ficar esparramada o dia todo no sofá com pipoca, chocolate e bolacha recheada, assistindo seriados cômicos da Sony e sem disposição para interagir com o mundo extra-cobertor.
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O cupido e eu nunca fomos melhores amigos. De fato, acho que o passatempo dele é me meter em encrencas enquanto assiste de sua nuvem cor de rosa às gargalhadas. Não sei de onde vem tanta animosidade. Mas sei que um dia ele me paga... ahh se paga!
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Quanto ao resto... tudo correndo de maneira turbulenta, como de costume.
Finalmente estou de férias, após semanas de esgotamento intelectual, físico e emocional. Gente, foi muita pressão, um monte de trabalhos, provas, testes... mas no final dá uma paz, uma satisfação, aquela sensação gostosa de dever cumprido.
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No campo profissional... uma grande empresa quis me contratar como estagiária, o que eu já dava como certo e estava prestes a desbloquear meu cartão de crédito e promover altas (e caras) mudanças no visual. Aí a diretoria decidiu que não queriam mais uma estagiária do 3º ano de psicologia... queriam que ela estivesse no 4º ou 5º ano. Chorei durante dias e ainda não me recuperei do choque.
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Emagreci 4 kg e continuo insatisfeita, querendo perder mais 6, então estou frequentando a academia, suando horrores, levando meu corpo à exaustão e rezando muito pra que dê resultado! (Os doces acima citados não contam como transgressão à dieta pq afinal é 12 de junho).
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E para finalizar, quero deixar claro que concordo com o velho ditado, tão conhecido e tão ignorado (inclusive por mim mesma): Antes só do que mau acompanhada!!! (Por mais irresistível que seja aquele bad boy...)

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Apenas mais uma carta que você nunca vai ler...



Então após quase 5 meses estamos nos reencontrando nesse mundo virtual. E estão ressurgindo as velhas brincadeiras, truques e teias que me prendem a você. E mesmo assim, nada é como era antes. E nunca mais será.
Encontrei alguém na vida real. E ele é lindo de se ver, e as pessoas olham quando ele passa com suas costas largas e seus braços fortes. E discutem com ele sobre psicologia e arquitetura porque ele está se formando nos dois cursos. E ele tem dinheiro o suficiente para me levar para qualquer lugar, e nós vamos viajar juntos para Arapongas no final do ano porque ele quer me msotrar a Igreja que ele está projetando. E no mês que vem ele vai participar de um vale-tudo e eu estarei na arquibancada torcendo por ele. E ele me toca e nós fazemos amos. Eu e você nunca tivéssemos nada disso. Nunca nos tocamos ou nos olhamos nos olhos.
Você encontrou alguém, ainda na internet. E em seu mundinho virtual ela é a versão otimizada da sua antiga Charlotte. E você diz que ela é linda e que precisa de você, e que a ama e que não vive sem ela. E ela não bebe, nunca sai de madrugada, é virgem e está sempre online, sempre jogando Ragnarok, como você também faz.
Só que ela... ela não sabe que existe vida de verdade lá fora, aonde as pessoas tocam umas às outras, aonde elas não podem simplesmente desligar o computador quando algo desagradável acontece em suas vidas. E você também não sabe, e ela não vai te ajudar a descobrir. E ela não te ama como eu amo, não com essa intensidade tão verdadeira. E não te faz rir como eu faço. E não insiste para que você saia de casa e tenha amigos, e volte para a faculdade e encontre um trabalho, porque isso diminuiria o tempo que você passa teclando com ela. Você não conta pra ela sobre o que dói em seu coração. Ela não passou madrugadas ao telefone quando você não conseguia dormir, nem se desesperou quando você ficou gripado e não pôde estar ao seu lado para cuidar de você. Ela nunca chorou vendo você se interessando por outra. E ela não te deu 5 anos da vida dela. Ela não é Charlotte.
E ele... ele me toca e me acaricia. Mas ele não sabe do que eu gosto e em que eu acredito. Ele nunca brigou comigo por beber demais. Nunca me ligou no meio da noite para arrancar confissões que eu não faria à luz do dia. Ele não me excita. Ele me beija, mas é quando penso em você que o tesão me domina. Ele nunca me tirou de uma crise ou acalmou a fúria do meu coração. Ele não disse que me ama nem me fez chorar de emoção ao constatar a força desse sentimento. Ele não me manda letras de músicas que atingem minha alma feito torpedos. Ele nunca cantou para mim. Ele nunca me telefonou após uma briga. Ele nunca me fez gargalhar até perder o fôlego ou sorrir à toa, feito uma boba que anda nas nuvens. Nunca me ajudou a elaborar um currículo. Nunca me ouviu ou percebeu quando eu estava mal. Ele não é Victor.
Você é imaturo, egoísta, covarde e seu coração está na direção errada. Você se ilude, você tem uma vida virtual. Você é preguiçoso. Você nunca encara seus problemas de frente. Mas qualquer um, comparado a você, deixa a desejar.
Eu nunca serei livre enquanto estiver presa a você, enquanto meus pensamentos te buscarem contra a minha vontade e eu não saciar o meu desejo de te abraçar, de sentir seu coração batendo, sentir seu cheiro e a textura de seus lábios.
Nós já atingimos o fundo.
(Será que nós já atingimos o fundo?)
Eu não tenho esperanças, mas tenho mil desejos e sonhos que não vão embora. E eu quero que eles partam. Eu quero encontrar a paz que você roubou de mim. Porque você é meu tormento, mas também é em você que eu encontro o meu céu azul.